<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996</id><updated>2011-04-21T18:26:09.205-07:00</updated><title type='text'>A Filosofia e seu ensino</title><subtitle type='html'>Blogue de apoio à Disciplina Complementar de Graduação "Tópicos de Ensino de Filosofia" - FAF 1052 - UFSM - 2007.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>32</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-6953418963944829765</id><published>2008-05-21T07:12:00.000-07:00</published><updated>2008-05-21T07:13:29.192-07:00</updated><title type='text'>Novo sítio</title><content type='html'>As postagens sobre ensino de filosofia e didática agora estão &lt;a href="http://didaticadafilosofia.wordpress.com"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-6953418963944829765?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/6953418963944829765/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=6953418963944829765&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/6953418963944829765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/6953418963944829765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2008/05/novo-stio.html' title='Novo sítio'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-1753744303021706985</id><published>2007-06-13T04:44:00.000-07:00</published><updated>2007-06-13T04:48:45.310-07:00</updated><title type='text'>Uma concepção minimalista de "consciência crítica"</title><content type='html'>Uma posição muito comum entre os defensores da presença da Filosofia no currículo consiste na afirmação das boas conseqüências formadoras da disciplina; dizemos que a disciplina desapareceu das escolas brasileiras por pressão do regime militar, que desejava afastar das escolas uma disciplina formadora de consciência crítica. Essa visão sobre a função da disciplina ainda é muito difundida mas já não mais se sustenta, se com ela queremos dizer que “formar consciência crítica” é um apanágio da disciplina de Filosofia. Qualquer consulta aos documentos curriculares das demais áreas de conhecimentos escolares mostra que elas têm uma clara percepção da fatia de trabalho de cada uma na "formação crítica e cidadã", como diz a lei. &lt;br /&gt;Como diria o Marquês de Sade, precisamos ainda fazer um esforço adicional se queremos vencer a inércia de um jargão; apenas falar em “formar consciência crítica” sem mostrar conteúdos, instrumentos e metodologias específicas soa vazio. Nos congressos sobre ensino de filosofia é nítida a sensação de impaciência com o que parece ser o refúgio fácil para a falta do que dizer. Assim, precisamos, entre outras coisas, revisar essa noção de consciência crítica para melhor compreender porque todas as demais disciplinas partilham conosco esta responsabilidade.&lt;br /&gt;Como podemos caracterizar a natureza dos questionamentos filosóficos? Sabemos que a Filosofia não pode, sem controvérsias, ser vista como uma disciplina empírica. Por mais que possamos ter simpatia para com os programas de naturalização ou de redução da Filosofia, devemos admitir  que eles surgem como provocações ao debate, já que, de uma ou de outra forma, ainda trabalhamos honrando o essencial da herança socrática: quer a Filosofia seja entendida como uma “investigação racional mediante conceitos” (como diz Kant, na Lógica), quer como uma atividade de questionamento das nossas convenções e imaturidades, ela ocupa um espaço de investigação que não se confunde com o saber positivo sobre as diversas e particulares dimensões da realidade. Apesar desse tipo de consenso, a caracterização em detalhes do espaço peculiar da Filosofia – e da aula de Filosofia no ensino médio - é uma discussão que parece ser interminável. &lt;br /&gt;A caracterização da Filosofia como pensamento “crítico” tem hoje apenas um empobrecido valor de jargão na medida em essa virtude é reivindicada por todas as áreas de ensino.  Já não é mais possível ao professor de Filosofia imaginar sua disciplina como a guardiã preferencial da consciência crítica dos estudantes; o professor de História e Artes e Educação Física e Física e Química e Geografia e Português e  Biologia e todos os demais consideram-se formadores de consciência e cidadania e pedem ao professor de Filosofia que faça sua parte específica, por exemplo, ajudando o aluno a ter mais (apenas) consciência a respeito da estrutura da argumentação apresentada em suas escritas e leituras, quaisquer que sejam. Os sociólogos, físicos, químicos, biólogos, historiadores, geógrafos, os artistas não se vêem como atores secundários na “formação crítica e cidadã” pois entendem que saber mais e melhor sobre a realidade social, física, química, biológica, histórica, geográfica e artística tem tudo a ver com a calibragem de nossos juízos valorativos; para todos eles as relações entre as nossas crenças factuais e nossos juízos morais são bem mais complexas do que sonha certa filosofia. &lt;br /&gt;Dito isto, como devemos entender a “criticidade”? A resposta-padrão que temos é que se trata de uma habilidade, de uma capacidade, de um exercício de distanciamento, de suspensão de juízo, de mensuração de conseqüências, de melhor exame; trata-se de uma retirada do comércio da vida comum, para submetê-la a um escrutínio circunstanciado. A descrição  soa familiar, mas se olhamos para ela com algum distanciamento vemos que ela se aplica sem retoque ao trabalho dos cientistas, físicos, químicos, biólogos, historiadores, sociólogos, geógrafos, artistas, escritores. Isto é assim porque ter “espírito crítico” parece ser uma outra forma de ver uma característica interna e intrínseca de nosso aparato cognitivo, que pode ou não ser acionada, em graus e proporções diferenciadas. &lt;br /&gt;Vou chamar isso de uma visão deflacionista da “consciência crítica”, que diz que ela é uma habilidade característica dos seres humanos. Ela é, de um lado, uma capacidade, uma virtude, fruto de aprendizado; de outro, todo ser humano a possui em grau mínimo, ao menos, pelo simples fato que todos nós somos essencialmente dependentes de informações para orientar as nossas decisões cotidianas. A tarefa de administrar informações exige uma espécie de mecanismo ou filtro de controle ou validação das informações que recebemos. Nesse processo de testagem de informações existem dois pontos extremos: de um lado, não é razoável acreditar em tudo; igualmente, não é razoável duvidar de tudo. Assim, ser crítico, é, em certo sentido, ser racional, e isto quer dizer, entrar na posse de uma habilidade conquistada às penas, duras ou macias. A razão é uma virtude a ser exercida e não uma entidade pronta. &lt;br /&gt;Alguém poderia lembrar aqui o caso das sociedades tradicionais, que parecem criar mecanismos que dificultam o distanciamento e a discussão daquelas afirmações que dizem respeito à sua identidade de base, regras e normas sociais fundamentais. Nelas, as normas sociais são justificadas de forma vertical ou autoritária. Essa lembrança apenas seria relevante se estivéssemos convencidos, mediante argumentos empíricos, que existem nas sociedades contemporâneas bolsões de tradicionalismo que impedem formas mínimas de questionamento. Mesmo que isso fosse razoável, deve-se lembrar que mesmo as justificações autoritárias, na medida em que devem justificar as condutas moralmente boas, parecem deixar uma porta aberta para a dúvida e para a crítica, pois pode-se sempre  (perguntar se as normas são boas porque Deus as promulgou ou se Deus as promulgou porque são boas. Trata-se do problema do Eutífron, como lembra Tugendhat (2002). &lt;br /&gt;O que estou procurando caracterizar aqui é um argumento clássico que sustenta que há uma relação ao mesmo tempo essencial e trivial entre “conhecimento” e “criticidade”.  Em certo sentido essa relação é trivial porque se trata apenas da caracterização de uma das conseqüências da diferença entre a operação de compreensão (no nível do significado e da linguagem) e a operação de conhecimento (no nível da referência e do mundo). A estrutura da mente humana é tal que dependemos da posse de conhecimentos (no sentido tradicional de crenças que são acompanhadas de justificações adequadas), e não apenas de crenças; isso supõe o funcionamento de capacidades, mecanismos cognitivos e procedimentos de verificação que colocamos em operação para que ocorra a passagem da crença para o conhecimento. A “criticidade”, na medida em que é compreendida como a capacidade de distanciamento, de suspensão de juízos, é um dos componentes da nossa estrutura noética. O fato de alguém se declarar “crítico” tem uma relação externa e acidental com a adesão a uma visão de mundo, por exemplo. Por outro lado, a Tabela Periódica dos Elementos ou o quadrado das oposições pode ser uma fonte de liberdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-1753744303021706985?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/1753744303021706985/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=1753744303021706985&amp;isPopup=true' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/1753744303021706985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/1753744303021706985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2007/06/uma-concepo-minimalista-de-conscincia.html' title='Uma concepção minimalista de &quot;consciência crítica&quot;'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-8153314307328869306</id><published>2007-06-07T06:25:00.000-07:00</published><updated>2007-06-07T06:36:22.683-07:00</updated><title type='text'>Os pólos da Filosofia</title><content type='html'>A discussão de conteúdos mínimos para o ensino de Filosofia por vezes provoca um conflito entre os partidários de um ensino fortemente apoiado em temas de lógica e argumentação e os defensores de um ensino voltado para temas de ética e política. As razões desse conflito são muitas e não as discutirei aqui; elas tem a ver com uma tradição de mal-formação em lógica, com as motivações pessoais do estudante em sua opção por Filosofia, com dificuldades internas ao ensino de lógica, etc. Esse tipo de conflito tem outras ramificações, pois por vezes ele é exportado para grupos de autores e escolas; assim, não é raro se colocar de um lado autores como Aristóteles e Kant, caracterizando-os pelo compromisso de elucidação sistemática e rigorosa dos aspectos metafísicos fundamentais da realidade; a Filosofia é tomada como o campo da “investigação racional mediante conceitos”. De outro lado, coloca-se uma tradição de tipo socrática, comprometida com uma avaliação de nossas imaturidades, com o exame e questionamento de nossas ações, dos paradoxos e dos dilemas com os quais eventualmente nos deparamos. Nem tudo é conflito nesse panorama. Um traço comum a essas tradições é o fato que nenhuma delas se confunde grosseiramente com o saber positivo sobre as diversas e particulares dimensões da realidade. Nesses tempos de retorno do ensino de Filosofia no nível médio cabe perguntar se essas oposições são excludentes.&lt;br /&gt;Miles Burnyeat, em um artigo em que avalia livros recentes sobre sobre Platão, introduziu um vocabulário que eu gostaria de projetar nesse contexto de ensino de Filosofia. Ele diz que a principal dificuldade de escrever sobre Platão está em se “combinar a profundidade e a força da visão platônica com a sutileza socrática dos argumentos mediante os quais ela é apresentada”. (Burnyeat, 1979). Os diálogos de Platão, ele segue, são uma “mescla milagrosa de imaginação filosófica e lógica”. Assim, “argumento”, que indica a província da lógica, e “visão”, indicando a imaginação filosófica, seriam os pólos indispensáveis da boa reflexão filosófica. Como diz Burnyeat, “o intérprete [de Platão] deve de algum modo responder a ambas, pois se a visão imaginadora é separada dos argumentos ela se torna uma postura grandiloqüente, e os argumentos por si mesmos ficam áridos, o mero esqueleto de uma filosofia” (Burnyeat, 1979). &lt;br /&gt;Essas palavras de Burnyeat, em especial o apelo que ele faz ao conceito de “visão imaginadora” me fizeram lembrar uma observação semelhante de Stanley Cavell sobre as perguntas da filosofia que criam o cenário no qual nossa vida é submetida à nossa imaginação. A ocasião da filosofia na minha vida, diz ele, é a do &lt;br /&gt;exame dos critérios de minha cultura, de forma a poder confrontá-los com minhas palavras e minha vida, da forma como a levo e da forma como posso imaginá-la; e ao mesmo tempo confrontar minhas palavras e vida, na forma como as levo, com a vida que as palavras de minha cultura podem imaginar para mim: confrontar a cultura consigo mesma, ao longo das linhas nas quais ela se encontra em mim.” (Cavell, 1979, p. 125) &lt;br /&gt;Nessa passagem encontramos elementos que vão além das sugestões de Burnyeat, mas aqui também surge essa dualidade entre exame de critérios e o exercício de nossas capacidades de imaginação, como se ambos  fossem parte de um único e mesmo movimento que combina as duas atividades, examinar e imaginar. Essa dualidade do trabalho filosófico pode indicar uma direção para pensar a Filosofia de uma forma que promova um bom encontro com algumas de suas ambigüidades. &lt;br /&gt;Essa forma de ver a Filosofia – a metáfora que me ocorre é de vê-la  como se fosse um globo (ou uma pilha!) dotado de pólos – tem um antecedente célebre. Na obra de Kant encontramos a mesma direção apontada acima nos textos de Burnyeat e Cavell. Ela consiste em ver a Filosofia como uma atividade constituída por uma dualidade tão essencial à natureza da mesma quanto aquela mais conhecida constituída pela sensibilidade e pelo entendimento, sem os quais não há o conhecimento humano: “Nenhuma dessas propriedades deve ser preferida à outra”, diz Kant. E disso se seguiria: por sua vez, a Filosofia tem duas propriedades, sistematicidade e imaginação. &lt;br /&gt;Não importa muito se usamos esta ou aquela palavra para designar essas propriedades. Podemos chamá-las de “argumento”, “lógica”, “sistematicidade” e “visão”, “imaginação”. Kant, ao final da Crítica da Razão Pura, chama a primeira dimensão de “escolástica” (“conceito escolástico de Filosofia”, “Schulbegriff”) e a segunda de “conceito cósmico de Filosofia ou ainda, a dimensão “cosmopolita” ou “de mundo” (Weltbegriff): &lt;br /&gt;Até aqui, no entanto, tratava-se tão-somente de um conceito escolástico de Filosofia, ou seja, o conceito de um sistema de conhecimento que só é procurado como ciência, sem que se tenha por finalidade algo mais que a unidade sistemática desse saber e portanto a perfeição lógica do conhecimento. Mas ainda existe um conceito cósmico (conceptu cosmicus) que sempre foi tomado como o fundamento do termo Filosofia, principalmente quando por assim dizer se o / 867 / personificou e se o representou como um arquétipo no ideal do filósofo. Neste sentido, a Filosofia é a ciência da referência de todo o conhecimento aos fins essenciais da razão humana (teleologia rationis humanae), e o filósofo não é um artista da razão, mas sim o legislador da razão humana. Neste significado, seria assaz vanglorioso chamar-se a si mesmo de filósofo e arrogar-se uma  identidade com o arquétipo existente unicamente na idéia. (Kant, CRP, B866/7)&lt;br /&gt;Um ponto tem passado desapercebido na leitura desse trecho da Crítica.  Muitos leitores costumam deter-se no que Kant diz sobre a Filosofia “até aqui”, como ele escreve no início da citação. O quê ele escreveu até aqui? “Até aqui” refere-se às repetidas idéias sobre “ensinar filosofia”: &lt;br /&gt;Até então não é possível aprender qualquer filosofia; pois onde esta se encontra, quem a possui e segundo quais características se pode reconhecê-la? Só é possível aprender a filosofar, ou seja, exercitar o talento da razão, fazendo-a seguir os seus princípios universais em certas tentativas filosóficas já existentes, mas sempre reservando à razão o direito de investigar aqueles princípios até mesmo em suas fontes, confirmando-os ou rejeitando-os.&lt;br /&gt;Essa frase de Kant – em especial a que diz que “só é possível aprender a filosofar” - é muito usada nas discussões sobre ensino de Filosofia mas na maioria das vezes ela é isolada do contexto na qual ela é apresentada, e onde claramente indica um dos pólos da Filosofia. Até aqui, diz Kant, tratava-se de apenas um dos conceitos da Filosofia; mas há outro, ele insiste, o outro pólo da mesma; num sentido, a Filosofia é um sistema de conhecimentos procurado, esotérica, um domínio de conhecimentos e habilidades profissionais numa busca rigorosa e sem fim;  noutro ela é uma visão condutora, concernida com o que interessa a todos os seres humanos, exotérica. &lt;br /&gt;Comentando a passagem na qual Kant faz a distinção entre o conceito de escola (Schulbegriff) e o conceito de mundo (Weltbegriff), mas os caracteriza como dois conceitos complementares da Filosofia, James Conant escreve: &lt;br /&gt;Isso mostra que, para Kant, a questão não está em delinear dois tipos diferentes de Filosofia, mas sim em discriminar dois pólos diferentes de um único campo de atividade – a implicação não é só que cada um desses conceitos reivindica o título de ‘Filosofia’, mas também que a empresa filosófica só pode alcançar o máximo rendimento quando vista sob a influência de cada um deles. (Conant, in Putnam, RRH)&lt;br /&gt;Por vezes busca-se uma paz entre as diversas escolas e movimentos (“hermenêuticos”, “dialéticos”, “analíticos”, etc.) por meio do argumento que diz que cada professor deve honrar sua “opção filosófica”, sua “escolha categorial e axiológica”, que será o “padrão e o fundamento” de suas “críticas” (as expressões estão nos PCN). O que me parece que isso é uma projeção indevida de certos conflitos cujo palco é o grande mundo universitário e suas pequenas províncias de poder acadêmico no pobre espaço da escola média. Haveria, nesse perspectiva, um ensino médio de Filosofia de cunho ou hermenêutico ou dialético ou analítico ou ou ou. O argumento supõe que o licenciado em Filosofia sai de seu curso superior militando em uma escola ou movimento filosófico? Na Filosofia, parece rezar o argumento, não há nada antes dessas afiliações. Isso faz sentido? O que aconteceria se experimentássemos nos orientar pela idéia que a Filosofia é um mundo que tem escolas, tendências, movimentos, pólos, regiões, continentes, etc, mas é, em algum sentido, una, uma? No ensino com crianças e  no ensino médio precisamos ter presente certos grandes traços daquilo que chamamos do “o mundo da Filosofia” de uma forma mais ampliada do que aquela com que estamos acostumados na academia. Essa noção da Filosofia como um mundo é importante pois  nos permite explorar a ambigüidade do conceito de “pólo”: um campo de atividades e energias pode ter pólos, um mundo pode ter pólos, e não deixam de ser um. Costuma-se ouvir que devemos fazer escolha, ou isso ou aquilo: ou ensino de lógica, linguagem e argumentação, ou temas abertos de ética e política; ou Strawson ou Deleuze; ou Quine ou Levinas. &lt;br /&gt;É possível imaginar o triste sorriso de Sócrates, Platão e Aristóteles, revirando-se em suas tumbas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-8153314307328869306?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/8153314307328869306/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=8153314307328869306&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/8153314307328869306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/8153314307328869306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2007/06/os-dois-plos-da-filosofia.html' title='Os pólos da Filosofia'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-6861500171667511260</id><published>2007-05-17T08:05:00.000-07:00</published><updated>2007-05-17T08:06:28.689-07:00</updated><title type='text'>Em tempo:</title><content type='html'>"Será que sob pretexto de que não existe teoria satisfatória do organismo como totalidade, nem mesmo conceito bem definido de saúde, pensaríamos em proibir aos médicos a prática da medicina? (Cornelius Castoriadis, IIS, p. 109)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-6861500171667511260?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/6861500171667511260/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=6861500171667511260&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/6861500171667511260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/6861500171667511260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2007/05/em-tempo.html' title='Em tempo:'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-6547337435220881409</id><published>2007-05-17T07:30:00.000-07:00</published><updated>2007-05-17T08:04:41.847-07:00</updated><title type='text'>As profissões impossíveis (3)</title><content type='html'>Tirei a manhã da quinta para reler "A Instituição Imaginária da Sociedade" (1975), de Cornelius Castoriadis, que é minha outra inspiração para pensar sobre esse tema das profissões impossíveis. Não vou contar sobre o livro, a história seria muito longa. Vou direto ao ponto no qual Castoriadis reclama da forma pouca e estreita que a tradição filosófica tem pensado a noção de "fazer" e seus correlatos. Ao longo do livro ele faz várias reflexões sobre o tema. Indico aqui as mais contundentes, a meu ver.  Em primeiro lugar, ele sugere uma forma de situar o fazer humano em uma espécie de grade, na qual os extremos são, de um lado, a ação reflexa (não dependente de nenhum saber) e, de outro, a técnica (materializada em objetos, por exemplo), que supõe uma certa exausitividade do saber. Veja:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O mundo histórico é o mundo do fazer humano. Esse fazer está sempre em relação com o saber, mas esta relação precisa ser elucidada. Para esta elucidação vamos apoiar-nos sobre dois exemplos extremos, dois casos limites: a “atividade reflexa” e a “técnica”. Podemos considerar uma atividade humana “puramente reflexa”, absolutamente não consciente. Tal atividade não teria, por definição, nenhuma ligação com um saber qualquer. Mas também é claro que não pertence ao domínio da historia. Podemos, no extremo oposto, considerar uma atividade “puramente racional”. Essa se apoiaria sobre um saber exaustivo ou praticamente exaustivo de seu domínio; entendemos por praticamente exaustivo que toda questão pertinente para a pratica e podendo emergir nesse domínio seria resolúvel. Em função desse saber e em conclusão dos raciocínios que permite, a ação se limitaria a colocar na realidade os meios dos fins que visa, a estabelecer as causas que levariam aos resultados desejados. Um tal tipo de atividade está aproximativamente realizado na historia, é a técnica." (p. 91)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre esses dois extremos - a atividade reflexa e a técnica - é que se passa o principal do teatro humano. Segue o texto de Castoriadis:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ora, o essencial das atividades humanas não pode ser captado nem como reflexo nem como técnica. Nenhum fazer humano é não consciente; mas nenhum poderia continuar nem por um segundo, se estabelecêssemos a exigência de um saber exaustivo prévio, de uma total elucidação de seu objeto e de seu modo de operar. Isso é evidente para a totalidade das atividades ‘triviais’ que compõem a vida quotidiana, individual ou coletiva. Mas isso é também assim para as atividades mais ‘elevadas’, as mais plenas de conseqüência, aquelas que envolvem diretamente a vida de outros bem como as que visam as criações mais universais e mais duráveis." (p. 91)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele oferece dois exemplos que não por acaso correspondem a duas das profissões 'impossíveis' de Freud. Não preciso lembrar que a outra profissão impossível de Freud termina por ser o tema de toda a primeira parte do livro, dedicada ao exame do fracasso dos projetos revolucionários que invocavam o marxismo como teoria exaustiva da sociedade e seu governo. Vejamos os exemplos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Educar uma criança (quer como pai ou como pedagogo), pode ser feito com uma consciência e uma lucidez mais ou menos grandes, mas é por definição impossível que isso possa ser feito a partir de uma elucidação total do ser da criança e da relação pedagógica. (...) O essencial do tratamento, assim como o essencial da educação, corresponde à própria relação que se irá estabelecer entre o paciente e o médico, ou entre a criança e o adulto, e à evolução desta relação, que depende do que um e outro farão. Nem ao pedagogo, nem ao médico pede-se uma teoria completa de sua atividade, que aliás eles seriam incapazes de fornecer. Não diremos por isso que se trate de atividades cegas, que educar uma criança ou tratar um doente seja jogar na roleta. Mas as exigências com as quais nos confronta o fazer são de outra ordem." (92)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome desse lugar? Chame como quiser, desde que entenda o ponto. Castoriadis chama isso de "praxis"; poderia chamar simplesmente de "ação humana". Veja a caraterizacão que ele faz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Chamamos de práxis este fazer no qual o outro ou os outros são visados como seres autônomos e considerados como o agente essencial do desenvolvimento de sua própria autonomia. A verdadeira política, a verdadeira pedagogia, a verdadeira medicina, na medida em que algum dia existiram, pertencem à práxis." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aqui, agora nomeadas, as "profissões 'impossíveis'", apresentadas com a seriedade que se pode esperar de um grande pensador.  É isso, ter ou não a consciência e a lucidez possível.  Ou então, abobrinhas sobre o impossível, chocolate pela notícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-6547337435220881409?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/6547337435220881409/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=6547337435220881409&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/6547337435220881409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/6547337435220881409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2007/05/as-profisses-impossveis-3.html' title='As profissões impossíveis (3)'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-2615094947039250714</id><published>2007-05-16T15:41:00.000-07:00</published><updated>2007-05-16T17:51:08.084-07:00</updated><title type='text'>As profissões impossíveis (2)</title><content type='html'>Achei. Freud faz, em sua obra, duas menções en passant sobre as profissões impossíveis. A passagem mais famosa está mencionada na postagem abaixo. O outro lugar é o "Prefácio a 'Juventude Desorientada', de Aichhorn, publicado no volume XIX da Standard Edition, edição brasileira, Imago, 1976, página 341. Freud escreve sobre o emprego da psicanálise na educação, em especial sobre a expectativa que "o interesse psicanalítico nas crianças beneficiaria o trabalho da educação (...)". Freud faz uma pequena frase sobre o objetivo da educação que faria um grande fracasso se fosse dita hoje, diante dos auditórios das faculdades: segundo ele, o objetivo da educação é "orientar e assistir as crianças em seu caminho para diante e protegê-las de se extraviarem". &lt;br /&gt;De minha parte acho que a frase de Freud é uma pérola de sabedoria. Mas o humor dos tempos vai para outro lado, como se sabe.&lt;br /&gt;Bom, vamos para a passagem:&lt;br /&gt;"Minha cota pessoal nessa aplicacão da psicanálise foi muito leve. Em um primeiro estádio, aceitei o bon mot que estabelece existirem três profissões impossíveis - educar, curar e governar - e eu já estava inteiramente ocupado com a segunda delas. Isto, contudo, não significa que desprezo o alto valor social do trabalho realizado por aqueles meus amigos que se empenham na educacão."&lt;br /&gt;Nem poderia desprezar, dá vontade de acrescentar, pois os educadores estão emparelhados com ele, na tal da impossibilidade. Nessa passagem, de 1919, como se pode ver, a palavra 'impossíveis' é usada sem aspas, ao contrário do que ocorre no texto de 1937. Na literatura que consultei a respeito dessas passagens não há notícia de outro autor que diga algo parecido, por escrito e que estivesse sendo citado. Resta concluir que Freud, com as aspas, em um caso, e com a idéia de "aceitar um 'bon mot', c'est a dire, une boutade, acrescentaria eu, estava suspendendo o uso comum de 'impossível'. &lt;br /&gt;Pois é disso que se trata, no final das contas, de um uso especial, que resta por ser melhor esclarecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-2615094947039250714?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/2615094947039250714/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=2615094947039250714&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/2615094947039250714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/2615094947039250714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2007/05/as-profisses-impossveis-2.html' title='As profissões impossíveis (2)'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-8154123759480985193</id><published>2007-05-14T05:04:00.000-07:00</published><updated>2007-05-14T05:53:57.094-07:00</updated><title type='text'>As profissões impossíveis</title><content type='html'>O local de origem daquilo que poderia ser chamado de um "topoi" sobre "as profissões impossíveis"  (do qual a idéia da filosofia como um "dever do impossível" é um dos casos) está em Freud, tanto quanto sei. No trabalho de 1937, intitulado "Análise terminável e interminável", parte VII, Freud fala sobre as "profissões 'impossíveis'". Transcrevo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Detenhamo-nos aqui por um momento para garantir ao analista que ele conta com nossa sincera simpatia nas exigências muito rigorosas a que tem de atender no desempenho de suas atividades. Quase parece como se a análise fosse a terceira daquelas profissões ‘impossíveis’ quanto às quais de antemão se pode estar seguro de chegar a resultados insatisfatórios. As duas outras, conhecidas há muito mais tempo, são a educação e o governo." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto do texto o editor informa que há uma passagem semelhante a essa, na Standard Edition, 19, 273. No momento estou sem meu exemplar. Quando puder eu incluo a citação. O texto segue assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Evidentemente, não podemos exigir que o analista em perspectiva seja um ser perfeito antes que assuma a analise, ou em outras palavras, que somente pessoas de alta e rara perfeição ingressem na profissão. Mas onde e como pode o pobre infeliz adquirir as qualificações ideais de que necessitará em sua profissão? A resposta é: na análise de si mesmo, com a qual começa sua preparação para a futura atividade. Por razões praticas, essa análise só pode ser breve e incompleta. Seu objetivo principal é capacitar o professor a fazer um juízo sobre se o candidato pode ser aceito para formação posterior. Essa análise terá realizado seu intuito se fornecer àquele que aprende uma convicção firme da existência do inconsciente, se o capacitar, quando o material reprimido surge, a perceber em si mesmo coisas que de outra maneira seriam inacreditáveis para ele, e se lhe mostra um primeiro exemplo da técnica que provou ser a única eficaz no trabalho analítico. Só isso não bastaria para sua instrução, mas contamos com os estímulos que recebeu em sua própria análise não cessem quando esta termina, com que os processos de remodelamento do ego prossigam espontaneamente no individuo analisado, e com que se faça uso de todas as experiências subseqüentes nesse recém-adquirido sentido. Isso de fato acontece e, na medida em que acontece, qualifica o individuo analisado para ser, ele próprio, analista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse parágrafo que citei está encompassado por duas frases que vale a pena lembrar. A primeira é essa:&lt;br /&gt;"Não devemos esquecer que o relacionamento analítico se baseia no amor à verdade, isto é, no reconhecimento da realidade - e que isso exclui qualquer tipo de impostura ou engano."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase que está na seqüência é essa:&lt;br /&gt;"Hostilidade, por um lado, e partidarismo, por outro, criam uma atmosfera desfavorável à investigação objetiva". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu procuro não ser hostil ou partidário; devo dizer, no entanto, que não pude deixar de me lembrar de Renato Zamora Flores e seu admirável artigo, "A complexidade está nua e é muito magra", publicado na revista Ciência &amp; Ambiente, numero 28, janeiro/julho de 2004: ali, Renato mostra certos padrões de estudos que, mutatis mutandis, parecem também valer para o, como diria Freud, pobre e infeliz campo do ensino da filosofia. &lt;br /&gt;Leiam o Renato que vale a pena!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-8154123759480985193?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/8154123759480985193/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=8154123759480985193&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/8154123759480985193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/8154123759480985193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2007/05/as-profisses-impossveis.html' title='As profissões impossíveis'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-8676162371108429529</id><published>2007-04-19T14:46:00.000-07:00</published><updated>2007-04-19T14:59:17.053-07:00</updated><title type='text'>Como condenar alguém que não se sabe quem é?</title><content type='html'>Material para uma aula sobre nomeação e referência, por exemplo: Folha de São Paulo, 17 de abril de 2007, C3. Conta a história de um sujeito que foi preso roubando umas esquadrias. Levado para a delegacia e interrogado durante várias horas, comprovou-se que o dito sujeito "não fala, não parece conhecer linguagem escrita ou falada, não se comunica por sinais e nem por mímicas. X não tem nome ou numero de inscrição no Instituto de Identificação...". (...) Ninguém sabe o que fazer com X". Toda a matéria é ótima, pois levanta os problemas dos juízes e promotores, que se perguntam como vão condenar uma pessoa que não se sabe quem é. Um investigador teve a idéia de batizá-lo. &lt;br /&gt;O Código de Processo Penal diz que "a impossibilidade de identificacão do acusado com o seu verdadeiro nome ou outros qualificativos não retardará a ação penal, quando certa a identidade física". Bueno, o problema é que sobre a identidade física apenas se podem dizer coisas como "este homem", "o homem branco, com 1.60 de altura, etc" ou ainda "o homem encontrado na casa tal roubando esquadrias". &lt;br /&gt;Depois dizem que são os filósofos que exageram nas ficções.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-8676162371108429529?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/8676162371108429529/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=8676162371108429529&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/8676162371108429529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/8676162371108429529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2007/04/como-condenar-algum-que-no-se-sabe-quem.html' title='Como condenar alguém que não se sabe quem é?'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115135269728414135</id><published>2006-06-26T13:10:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T13:11:37.286-07:00</updated><title type='text'>24. Cavell: pensar cuidadosamente sobre coisas que todos pensam distraidamente</title><content type='html'>"Eu compreendo (a filosofia) como uma vontade de pensar, não sobre coisas diferentes daquelas sobre as quais as pessoas comuns pensam, mas ao contrário, de  aprender a pensar de forma não distraída sobre coisas que os homens comuns não podem deixar de pensar, ou, enfim, sobre coisas que não deixam de ocorrer a eles, algumas vezes nas fantasias, algumas vezes como que num relance por entre uma paisagem; são coisas tais como, por exemplo, se podemos conhecer o mundo como ele é em si mesmo, ou se outras pessoas realmente conhecem a natureza das nossas experiências, ou se o bem e o mal são relativos, ou se poderíamos agora estar sonhando que estamos acordados, ou se as modernas tiranias e armas e espaços e velocidades e artes estão em continuidade com o passado da raça humana ou são descontínuas, e assim se o aprendizado da raça humana não é irrelevante diante dos problemas que criou para si mesmo. Tais pensamentos são exemplares daquele desejo característico da humanidade de fazer para si mesmo perguntas que não pode responder satisfatoriamente. Os cínicos acerca da filosofia, e talvez acerca da humanidade, opinarão que perguntas sem respostas são vazias; os dogmáticos pretenderão ter respondido a tais perguntas; os filósofos que admiro preferirão sugerir o pensamento que ao mesmo tempo que pode não haver respostas satisfatórias para tais questões em certas formas, existem, por assim dizer, direções para respostas, maneiras de pensar, que valem o tempo de nossa vida aplicado em descobri-las."&lt;br /&gt;(Stanley Cavell, em Themes out of School)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115135269728414135?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115135269728414135/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115135269728414135&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135269728414135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135269728414135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/24-cavell-pensar-cuidadosamente-sobre.html' title='24. Cavell: pensar cuidadosamente sobre coisas que todos pensam distraidamente'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115135258343592326</id><published>2006-06-26T13:08:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T13:09:43.436-07:00</updated><title type='text'>23. Kierkegaard e a Filosofia</title><content type='html'>"Com efeito, os conceitos, assim como os indivíduos, têm sua história e, tal como eles, não conseguem resistir ao poder do tempo. E no entanto, por isso e apesar disso, guardam mesmo assim uma espécie de saudade da terra onde nasceram. Assim como a filosofia por um lado não pode ser indiferente a essa história posterior do conceito, assim também ela não pode ater-se somente àquela primeira história, por mais rica e interessante que seja. A filosofia exige sempre alguma coisa a mais, exige o eterno, o verdadeiro, frente ao qual mesmo a existência mais sólida é, enquanto tal, o instante afortunado. Ela se relaciona com a história como o confessor com o penitente, e deve, como um confessor, ter um ouvido afinado, pronto para seguir as pistas dos segredos daquele que se confessa; mas ela também está em condições de, após ter escutado toda a série de confissões, fazê-las aparecer diante do que confessa como uma coisa diferente. Pois assim como o indivíduo que se confessa pode muito bem ter condições não só de recitar analiticamente os feitos de sua vida mas também de relatá-los de maneira amena e agradável, e no entanto não consegue ele mesmo ver sua vida como um todo, assim também a história pode muito bem proclamar pateticamente, em alta voz, a riqueza da vida do gênero humano, mas tem de deixar à mais velha (à filosofia) a tarefa de explicá-la, e pode então desfrutar da alegre surpresa: no primeiro instante quase não quer reconhecer a versão elaborada pela filosofia, mas vai se familiarizando pouco a pouco com esta concepção filosófica, até chegar finalmente a encará-la como a verdade autêntica, e o outro lado como mera aparência."&lt;br /&gt;(Kierkegaard. O Conceito de Ironia. Petrópolis, Vozes, 1991. Tradução de Álvaro Valls)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115135258343592326?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115135258343592326/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115135258343592326&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135258343592326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135258343592326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/23-kierkegaard-e-filosofia.html' title='23. Kierkegaard e a Filosofia'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115135236720910893</id><published>2006-06-26T13:04:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T13:08:30.460-07:00</updated><title type='text'>22. A definição de Wilfrid Sellars</title><content type='html'>"O objetivo da filosofia, formulado abstratamente, é compreender como as coisas, no mais amplo sentido do termo, se vinculam (hang together) no mais amplo sentido possível da expressão. Sob “coisas no mais amplo sentido possível” eu incluo itens tão radicalmente diferentes que não apenas “repolhos e reis”, mas números e deveres, possibilidades e estalar de dedos, experiência estética e morte. Obter sucesso na filosofia seria, para usar um dito contemporâneo, saber a quantas a gente anda (to know one’s way around) com respeito a todas essas coisas, não naquela forma não reflexiva na qual a centopéia da história sabia o que fazer antes de encarar a pergunta “como eu caminho?”, mas na forma refletida que significa que nenhuma fortaleza intelectual está livre de ataque." &lt;br /&gt;(Wilfrid Sellars: “Philosophy and the Scientific Image of man”. In: Science, Perception and Reality. Ridgeview Publishing Company. Atascadero, California, 1991)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115135236720910893?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115135236720910893/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115135236720910893&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135236720910893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135236720910893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/22-definio-de-wilfrid-sellars.html' title='22. A definição de Wilfrid Sellars'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115135223659139592</id><published>2006-06-26T13:02:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T13:07:44.223-07:00</updated><title type='text'>21. Edmund Husserl e a ciência das trivialidades</title><content type='html'>“Justamente o filósofo deve saber que por trás do "evidente e notório" se ocultam os problemas mais difíceis; tanto que, de uma forma paradoxal, mas com um sentido profundo, a filosofia poderia ser designada como a ciência das trivialidades.” (p. 469 da tradução de Morente e Gaos, Investigaciones Logicas)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115135223659139592?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115135223659139592/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115135223659139592&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135223659139592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135223659139592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/21-edmund-husserl-e-cincia-das.html' title='21. Edmund Husserl e a ciência das trivialidades'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115135212038849698</id><published>2006-06-26T12:59:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T13:02:00.390-07:00</updated><title type='text'>20. Wittgenstein, nas Investigações Filosóficas</title><content type='html'>§ 90. É como se devêssemos desvendar os fenômenos: nossa investigação, no entanto, dirige-se não aos fenômenos, mas, como poderíamos dizer, às ‘possibilidades’ dos fenômenos. Refletimos sobre o modo das asserções que fazemos sobre os fenômenos. Por isso Agostinho reflete também sobre as diferentes asserções que se fazem sobre a duração dos acontecimentos, sobre seu passado, presente ou futuro. (Naturalmente, estas não são asserções filosóficas sobre o tempo, passado, presente e futuro.) &lt;br /&gt;Nossa consideração é, por isso, gramatical. E esta consideração traz luz para o nosso problema, afastando os mal-entendidos. Mal-entendidos que concernem ao uso das palavras; provocados, entre outras coisas, por certas analogias entre as formas de expressão em diferentes domínios da nossa linguagem. Muitos deles são afastados ao se substituir uma forma de expressão por outra; isto se pode chamar de “análise” de nossas formas de expressão, pois esse processo assemelha-se muitas vezes a uma decomposição. &lt;br /&gt;§ 119. Os resultados da filosofia consistem na descoberta de um simples absurdo qualquer e nas contusões que o entendimento recebeu ao correr de encontro às fronteiras da linguagem. Elas, as contusões, nos permitem reconhecer o valor dessa descoberta. &lt;br /&gt;§ 123: A philosophical problem has the form: "I don't know my way about". (Um problema filosófico tem a forma: "Eu não sei a quantas ando".)&lt;br /&gt;Wittgenstein trata da natureza da filosofia nas "Investigacões"  nas passagens próximas a 123. Em 124 ele escreve:&lt;br /&gt;§ 124. Philosophy may in no way interfere with the actual use of language; it can in the end only describe it.  For it cannot give it any foundation either. It leaves everything as it is.&lt;br /&gt;It also leaves mathematics as it is, and no mathematical discovery can advance it. A "leading problem of mathematical logic" is for us a problem of mathematics like any other. Philosophy simply puts everything before us, and neither explain nor deduces anything. - Since everything lies open to view there is nothing to explain. For what is hidden, for example, is of no interest to us. One might also give the name "philosophy" to what is possible before all new discoveries and inventions.&lt;br /&gt;§ 127. The work of the philosopher consists in assembling reminders for a particular purpose.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115135212038849698?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115135212038849698/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115135212038849698&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135212038849698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135212038849698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/20-wittgenstein-nas-investigaes.html' title='20. Wittgenstein, nas Investigações Filosóficas'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115135194987179708</id><published>2006-06-26T12:58:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T12:59:09.873-07:00</updated><title type='text'>19. Wittgenstein, no Tractatus</title><content type='html'>Tractatus Logico-Philosophicus: “A filosofia não é uma das ciências naturais. (A palavra “filosofia” deve significar algo que esteja acima ou abaixo, mas não ao lado, das ciências naturais.) 4.111.&lt;br /&gt;“O fim da filosofia é o esclarecimento lógico dos pensamentos. A filosofia não é uma teoria, mas uma atividade. Uma obra filosófica consiste essencialmente em elucidações. O resultado da filosofia não são “proposições filosóficas”, mas é tornar proposições claras. Cumpre à filosofia tornar claros e delimitar precisamente os pensamentos, antes como que turvos e indistintos.” 4.112&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115135194987179708?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115135194987179708/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115135194987179708&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135194987179708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135194987179708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/19-wittgenstein-no-tractatus.html' title='19. Wittgenstein, no Tractatus'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115135182951802882</id><published>2006-06-26T12:56:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T12:57:09.530-07:00</updated><title type='text'>18. Immanuel Kant e as dimensões da Filosofia</title><content type='html'>Um dos argumentos que estamos discutindo nesta disciplina gira em torno da idéia que a Filosofia é uma área da cultura que possui mais de uma dimensão. O ponto de partida para a caracterização dessas dimensões é uma distinção proposta por Immanuel Kan. Ele coloca, de um lado, o “conceito de mundo” ou o conceito “cosmopolita” de filosofia, que visa visa destacar a utilidade da filosofia, na medida em que ela pode ser vista como um tipo de conhecimento que se ocupa com os fins últimos da razão humana. A filosofia, nesse sentido cosmopolita, trata daquilo que interessa necessariamente a todos os seres humanos. O ‘conceito de mundo’ representa o lado motivacional e temático da filosofia.  São questões como a do “sentido da vida”, da felicidade, da moralidade, etc. Kant apresenta essa caracterização, entre outros livros, na Crítica da Razão Pura: “(...) a Filosofia é a ciência da referência de todo o conhecimento aos fins essenciais da razão humana”. (B867) O domínio da Filosofia, neste sentido cosmopolita deixa-se reduzir às seguintes questões clássicas: o que posso saber? O que devo fazer? O que me é lícito esperar? O que é o homem”. No sentido cosmopolita, a filosofia é uma sabedoria.&lt;br /&gt;Por outro lado, o mesmo autor destaca o chamado “conceito de escola” (ou conceito “escolástico" de filosofia). Este significado visa a filosofia como uma habilidade. A filosofia é o “sistema (...) dos conhecimentos racionais a partir de conceitos.” (CRP, B741, B760) O “conceito de escola” representa o lado sistemático e metodológico da filosofia. O tema (ou a ocupação) da filosofia, no sentido do “conceito de escola”, são “os conceitos que pertencem ao nosso mundo da vida”: verdade, consciência, autoconsciência, responsabilidade, querer, agir, etc A filosofia opera por meio de elucidações (esclarecimentos) conceituais. É, portanto, uma atividade de esclarecimento de conceitos. &lt;br /&gt;Esta distinção de aspectos da filosofia é hoje largamente levada em consideração. Considero-a útil para fixar o âmbito de contribuições que a filosofia pode fazer em atividades como a de formação de professores, mas talvez possamos pensar em mais facetas da Filosofia, relevantes para o processo didático.&lt;br /&gt;Nessa postagem, quero relembrar duas passagens na CRP sobre o sentido da Filosofia: &lt;br /&gt;“... a Filosofia consiste simplesmente num conhecimento racional segundo conceitos”. &lt;br /&gt;E ainda: &lt;br /&gt;“Trata-se de pretensões arrogantes que jamais podem se concretizar, e que antes fazem com que a Filosofia retroceda em seu propósito de revelar as ilusões de uma razão desconhecedora de seus limites e de reconduzir mediante uma clarificação suficiente de nossos conceitos, a presunção da especulação a um modesto, porém acurado, autoconhecimento.” CRP, B, 765&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115135182951802882?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115135182951802882/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115135182951802882&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135182951802882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135182951802882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/18-immanuel-kant-e-as-dimenses-da.html' title='18. Immanuel Kant e as dimensões da Filosofia'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115135050574353251</id><published>2006-06-26T12:34:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T12:35:05.746-07:00</updated><title type='text'>17. Hume e o delírio filosófico</title><content type='html'>Uma das tantas passagens famosas do “Tratado da Natureza Humana” de Hume é aquela onde ele descreve a “melancolia e o delírio filosófico”. Trata-se de um texto muito estudado. Recomendo, sobre esse tema, o livro de Barry Stroud, Hume; o artigo de M. F. Burnyeat. Can the Sceptic live his scepticism? e ainda o livro de Putnan. Renewing Philosophy, p. 135. Transcrevi alguns trechos que antecedem a passagem para que ela tenha um melhor contexto. O bom mesmo é ler todo o capítulo no “Tratado”.&lt;br /&gt; “Em um primeiro momento sinto-me assustado e confuso com a solidão desesperadora em que me encontro dentro de minha filosofia; imagino-me como um monstro estranho e rude que, incapaz de misturar-se com os demais e unir-se à sociedade, foi expulso de todo o contato com os homens e deixado no absoluto abandono e desconsolo. De boa vontade, aproximar-me-ia da multidão em busca de abrigo e calor, mas não consigo convencer a mim mesmo a me juntar a ela, tendo tal deformidade. Clamo a outros para que se juntem a mim, para formarmos um grupo à parte; mas ninguém me dá ouvidos. Todos mantém distância, temendo a tempestade que se abate sobre mim de todos os lados. (...)&lt;br /&gt;Já assinalei, com efeito, que quando o entendimento atua por si mesmo e de acordo com seus princípios mais gerais, se autodestrói por completo e não deixa nem o menor grau de evidência em nenhuma proposição, seja da filosofia ou da vida ordinária. (...) &lt;br /&gt;Mas que foi que eu disse? Que as reflexões muito sutis e metafísicas exercem pouca ou nenhuma influencia sobre nós? Dificilmente poderia deixar de me retratar e de condenar essa minha opinião com base em meu sentimento e experiência presente. A visão intensa dessas variadas contradições e imperfeições da razão humana me afetou de tal maneira, e inflamou minha mente a tal ponto, que estou prestes a rejeitar toda crença e raciocínio, e não consigo considerar uma só opinião como mais provável e verosssimil que as outras. Onde estou, o que sou? A que causas devo minha existência e a que condição retornarei? Que favores buscarei e a que furores devo recear? Que seres me rodeiam, sobre qual tenho influência ou qual tem sobre mim? Todas essas perguntas me confundem, e começo a ver-me na condição mais deplorável que se possa imaginar, privado absolutamente do uso de meus membros e faculdades.&lt;br /&gt;Felizmente ocorre que, ainda que a razão seja incapaz de dissipar essas nuvens, a natureza mesma é suficiente para este propósito, e me cura dessa melancolia e desse delírio filosófico, ou bem relaxando minha concentração mental ou bem por meio de alguma distração: uma impressão vivaz de meus sentidos, por exemplo, me faz esquecer todas essas quimeras. Saio para jantar, jogo uma partida de gamão com meus amigos, bato um papo e sou feliz com meus amigos; e quando volto para essas especulações depois de três ou quatro horas de distração, me parecem tão frias, forçadas, ridículas que não me sinto com disposição para me aprofundar mais nelas."&lt;br /&gt;(Hume. Tratado da Natureza Humana, Livro I, Parte IV, Seção VII)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115135050574353251?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115135050574353251/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115135050574353251&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135050574353251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135050574353251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/17-hume-e-o-delrio-filosfico.html' title='17. Hume e o delírio filosófico'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115135005916693581</id><published>2006-06-26T12:27:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T12:27:39.166-07:00</updated><title type='text'>16. Locke e os empulhadores</title><content type='html'>John Locke, em seu Ensaio sobre o Entendimento Humano, tratou do tema da pseudo-profundidade que muitas vezes passa por grande filosofia: &lt;br /&gt;“(...) o mundo estaria muito mais adiantado se o esforço de homens engenhosos e perspicazes não estivesse tão embaraçado pela erudição e pelo uso frívolo de termos desconhecidos, afetados e ininteligíveis, introduzidos nas ciências, e fazendo disso uma arte a tal ponto de a filosofia, que nada mais é do que o verdadeiro conhecimento das coisas, tornar-se imprópria ou incapaz de ser apreciada pela sociedade mais refinada e nas conversas eruditas. Formas vagas e sem significado de falar, e abuso da linguagem, têm por muito tempo passado por mistérios da ciência; palavras difíceis e mal empregadas, com pouco ou nenhum sentido, tem, por prescrição, tal direito que são confundidas com o pensamento profundo e o cume da especulação, sendo difícil persuadir não só os que falam como os que os ouvem que são apenas abrigos da ignorância e obstáculos ao verdadeiro conhecimento.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115135005916693581?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115135005916693581/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115135005916693581&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135005916693581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115135005916693581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/16-locke-e-os-empulhadores.html' title='16. Locke e os empulhadores'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115134985689786947</id><published>2006-06-26T12:23:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T12:24:16.913-07:00</updated><title type='text'>15. Descartes e a metáfora da árvore</title><content type='html'>Descartes é um autor que podemos somar àqueles que desenvolveram o lado sistemático da Filosofia. Talvez se deva dizer dele um pouco mais; além de sistemático, Descartes era um fundacionalista. Ele gostava de metáforas de árvores, edifícios, reformas, fundações (veja a segunda parte do Discurso do Método, por exemplo). O trecho a seguir está nos “Princípios de Filosofia”. &lt;br /&gt; “Ora, viver sem filosofar equivale, verdadeiramente, a ter os olhos fechados, sem nunca procurar abri-los e o prazer de ver todas as coisas que a nossa vista alcança não se compara à satisfação que confere o conhecimento do que se encontra pela filosofia; e enfim, que este estudo é mais necessário para regrar os costumes, e conduzir-nos na vida, do que o uso dos olhos para nos guiar os passos. Os brutos animais que apenas possuem o corpo para conservar, ocupam-se, continuamente, com procurar alimentá-lo; mas os homens, cuja parte principal é o espírito, deveriam primacialmente empregar o tempo na pesquisa da sabedoria, o seu verdadeiro alimento. (...) &lt;br /&gt;Assim toda a filosofia é como uma árvore, cujas raízes são formadas pela metafísica, o tronco pela física e os ramos que saem deste tronco, constituem todas as outras ciências que, ao cabo se reduzem a três principais: a medicina, a mecânica e a moral (...). (Princípios de Filosofia.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115134985689786947?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115134985689786947/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115134985689786947&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115134985689786947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115134985689786947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/15-descartes-e-metfora-da-rvore.html' title='15. Descartes e a metáfora da árvore'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115134911923368725</id><published>2006-06-26T12:09:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T12:11:59.236-07:00</updated><title type='text'>14. Agostinho. As Confissões.</title><content type='html'>Selecionei duas passagens de Santo Agostinho. Nelas nos interessarão diversos aspectos, entre eles o que mais adiante chamaremos de “profusão grafomórfica” da Filosofia. Aqui vai também a famosa passagem sobre a análise do conceito de “tempo”.&lt;br /&gt;A Sedução do Perfume. Não me inquieto demasiado com as seduções do perfume. Quando está afastado, não o procuro. Quando o tenho presente, não me esquivo, mas também estou preparado para dele me abster. Ao menos assim me parece. Talvez me engane.&lt;br /&gt;A própria razão, que em mim existe, de tal maneira se esconde nestas trevas deploráveis que me rodeiam que, quando meu espírito se interroga a si mesmo acerca das próprias forças, julga que não deve acreditar facilmente em si, por desconhecer, na maior parte dos casos, o que nele se passa, exceto quando a maior experiência claramente lhe manifesta. &lt;br /&gt;Ninguém se deve ter por seguro nesta vida que toda ela se chama tentação. Quem é que, sendo pior, não se pode tornar melhor, e de melhor descer a pior? Só há uma única esperança, uma única promessa inabalável: a Vossa misericórdia.&lt;br /&gt;O que é o tempo?&lt;br /&gt;...Que é, pois, o tempo? Quem poderá explicá-lo clara e brevemente? Quem poderá apreendê-lo, mesmo só com o pensamento, para depois nos traduzir por palavras o seu conceito? E que assunto mais familiar e mais batido nas nossas conversas do que o tempo? Quando dele falamos, compreendemos o que dizemos. Compreendemos também o que nos dizer quando dele nos falam. O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se quiser explicá-lo a quem me fizer a pergunta, já não sei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115134911923368725?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115134911923368725/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115134911923368725&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115134911923368725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115134911923368725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/14-agostinho-as-confisses.html' title='14. Agostinho. As Confissões.'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115134893686061613</id><published>2006-06-26T12:07:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T12:08:56.860-07:00</updated><title type='text'>13. A Filosofia vista pela Biblia</title><content type='html'>Paulo, Colossenses, 2,8:&lt;br /&gt;“Vigiai para que ninguém vos apanhe no laço da filosofia, esse vão embuste fundado na tradição dos homens, nos elementos do mundo, e não mais em Cristo” .&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115134893686061613?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115134893686061613/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115134893686061613&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115134893686061613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115134893686061613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/13-filosofia-vista-pela-biblia.html' title='13. A Filosofia vista pela Biblia'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115134885231089716</id><published>2006-06-26T11:58:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T12:07:32.333-07:00</updated><title type='text'>12. Sêneca: Um trecho da Consolação à Márcia</title><content type='html'>Nem só de espírito de sistema é feita a Filosofia. Um dos objetivos da disciplina é procurar caracterizar outras dimensões da Filosofia. Para caminhar nessa direção começamos com uma leitura de Michel Foucault, do livro “A Hermenêutica do Sujeito”. Entre os autores que consideramos para indicar essas outras dimensões, estavam nomes como Epicuro (Sobre o Ouvir) e Sêneca. Transcrevo abaixo um trecho de um texto de Sêneca. É a minha passagem favorita da “Consolação a Márcia”. Márcia era uma senhora importante na sociedade romana que havia perdido um filho, Metílio, por volta do ano 40, quando governava o famoso Calígula. O texto é simplesmente brilhante.&lt;br /&gt;XI. 1. E que esquecimento é este, afinal, de tua própria condição e da de todos? Nasceste mortal e geraste mortais. Sendo tu mesma um corpo perecível e frágil e sujeita a doenças, esperaste ter gerado de uma matéria tão fraca alguma coisa sólida e eterna? Teu filho morreu: isto significa que ele chegou àquele fim para o qual caminham aquelas coisas que julgas mais felizes que teu filho. Para lá se dirige com passo desigual toda essa multidão que discute no fórum, que vai ao teatro e ora nos templos: e uma única cinza igualará tanto o que amas quanto o que desprezas. Isto é o que declaram aquelas palavras atribuídas ao oráculo Pítico: Conhece-te a ti mesmo. O que é o homem? Um vaso que pode quebrar-se ao menor abalo, ao menor movimento. Não é necessária uma grande tempestade para que se destrua; bata onde bater, se dissolverá. O que é o homem? Um corpo débil e frágil, desnudo, indefeso por sua própria natureza, que tem necessidade do auxílio alheio, exposto a todos os danos do destino; um corpo que quando exerceu bem os seus músculos, é pasto de qualquer fera, é vítima de qualquer uma; composto de matéria inconsistente e mole e brilhante somente nas feições exteriores; incapaz de suportar o frio, o calor, a fadiga e, por outro lado, destinado à desagregação pela inércia da ociosidade; um corpo preocupado com seus alimentos, por cuja carência ora se enfraquece, por cujo excesso ora se rompe; um corpo angustiado e inquieto por sua conservação, provido de uma respiração precária e pouco firme, a qual um forte ruído repentino perturba; um corpo que é fonte doentia e inútil, de contínuo perigo para si mesmo. 4. Admiramo-nos da morte neste corpo, a qual não precisa senão de um suspiro? Acaso é necessário muito esforço para que venha sucumbir? Um odor, um sabor, um cansaço, uma vigília, um humor, um alimento e aquelas coisas sem as quais não pode viver, lhe são mortais; para onde quer que se mova, tem imediatamente consciência de sua fraqueza; incapaz de suportar qualquer clima, torna-se doente pela troca das águas, pelo sopro de ar não familiar e por incidentes e danos de mínima importância; um ser precário, doentio, tendo começado a vida pelo choro. Não obstante, quantos tumultos provoca esse tão desprezível animal, a quão altos pensamentos aspira, esquecido de sua condição. 5. Revolve no espírito coisas imortais, coisas eternas e faz planos para os seus netos e bisnetos, enquanto ele planeja projetos duradouros, a morte o pressiona; e isto que se chama velhice é um período de pouquíssimos anos.&lt;br /&gt;( Cartas Consolatórias. Tradução de Cleonice Furtado de Mendonça van Raij, Pontes Editora, Campinas, 1992).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115134885231089716?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115134885231089716/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115134885231089716&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115134885231089716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115134885231089716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/12-sneca-um-trecho-da-consolao-mrcia.html' title='12. Sêneca: Um trecho da Consolação à Márcia'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115134830553091591</id><published>2006-06-26T11:53:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T11:58:25.533-07:00</updated><title type='text'>11. Aristóteles: Metafísica, 1003 a 20</title><content type='html'>Aristóteles pode ser nosso autor de referencia para o que chamaremos, doravante, de “dimensão sistemática” da Filosofia. Essa dimensão corresponde, grosso modo, ao que chamamos, com Kant, de “conceito de escola”. Podemos dizer que esses autores são patronos de nossos esforços para desenvolver o lado científico, analítico, rigoroso, da Filosofia. O texto de Aristóteles que examinaremos, mais adiante, para pensar o lugar da Filosofia no currículo escolar, é esta passagem da “Metafísica”.&lt;br /&gt;“Há uma ciência que investiga o ente enquanto ente e os atributos que lhe são próprios em virtude de sua natureza. Ora, esta ciência é diversa de todas as chamadas ciências particulares, pois nenhuma delas trata universalmente do ente enquanto ente. Dividem-no, tomam uma parte e dessa estudam os atributos: é o que fazem, por exemplo, as ciências matemáticas. Mas, como estamos procurando os primeiros princípios e as causas supremas, evidentemente deve haver algo a que eles pertençam como atributos essenciais. Se, pois, andavam em busca desses mesmos princípios aqueles filósofos que pesquisaram os elementos das coisas existentes, é necessário que esses sejam elementos essenciais e não acidentais do ser. Portanto, é do ente enquanto ente que também nós teremos de descobrir as primeiras causas.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115134830553091591?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115134830553091591/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115134830553091591&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115134830553091591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115134830553091591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/11-aristteles-metafsica-1003-20.html' title='11. Aristóteles: Metafísica, 1003 a 20'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-115134795090071277</id><published>2006-06-26T11:51:00.000-07:00</published><updated>2006-06-26T11:52:30.913-07:00</updated><title type='text'>10. Filosofia e "filosofia de vida"</title><content type='html'>Um dos pontos de partida da aula de Filosofia no nível médio é o universo de referência disponível pelo aluno na vida cotidiana, pois a palavra ‘filosofia’ é uma expressão empregada na linguagem corrente. Indico alguns exemplos, retirados de um arquivo que recolhi faz alguns anos, do jornal A Razão, de nossa cidade, no dia 07/03/98. Essa era a manchete: “A Razão adquire dois parceiros”. O texto fala da aquisição de dois jornais, um em Uruguaiana e outro em Quaraí, por parte de A Razão, e diz assim: “Zaira de Grande ressaltou ainda a filosofia de trabalho de A Razão, sempre em defesa dos interesses de Santa Maria”. Um outro exemplo vem do Correio do Povo, do mesmo dia. Trata-se de uma notícia sobre o lançamento de um novo automóvel da Fiat, com o seguinte texto: “Os Fiat Marea e Marea Weekend foram projetados com a filosofia de oferecerem comodidade tanto em trajetos urbanos como nos mais longos (...).” Um outro exemplo, desta vez da Folha de S. Paulo do dia 13 de fevereiro de 1998. Trata-se de uma matéria assinada por Nina Horta, sobre livros de gastronomia. Ela escreve o seguinte: “A filha de Irma Rombauer (Marion) foi sempre uma sombra da mãe poderosa. Não escrevia bem, teve outro tipo de educação, foi para Vassar, interessou-se por botânica. Sua filosofia era outra. Onde a mãe era descuidada e “deixa-prá-lá”, ela era conscienciosa, prática, culta, mas herdara da mãe a capacidade de congregar à sua volta pessoas que também achavam que cozinhar era prazeiroso.” Veja que nesses casos  podemos trocar a palavra “filosofia” por outras como “característica”, “estilo”, “atitude”, sem prejuízo quanto à boa compreensão do texto. Como observou alguém, parece que nesses casos o autor do texto busca um “complemento solene”. Afinal, não parece bonito a gente ter uma “filosofia de vida”? As relações entre aquilo que alguns chamam de filosofia “acadêmica” com esses usos do cotidiano são, no entanto, muito complexas. Vamos deixá-las para outra ocasião. Fique esse texto como um exemplo para o debate que fazemos nas aulas sobre os usos populares do termo “Filosofia”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-115134795090071277?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/115134795090071277/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=115134795090071277&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115134795090071277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/115134795090071277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/10-filosofia-e-filosofia-de-vida.html' title='10. Filosofia e &quot;filosofia de vida&quot;'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-114969000585857772</id><published>2006-06-07T07:19:00.000-07:00</published><updated>2006-06-07T07:20:05.863-07:00</updated><title type='text'>9. Deleuze e a Filosofia</title><content type='html'>Gilles Deleuze, no livro "A Lógica do Sentido", dedica um capítulo às “três imagens do filósofo”, abordando três metáforas: Platão e as alturas, os pré-socráticos e a vida nas cavernas, e, com Nietzsche, nem profundidade, nem altura, uma nova geografia da superfície. Vai aqui o texto:&lt;br /&gt;“A imagem do filósofo, tanto popular como científica, parece ter sido fixada pelo platonismo: um ser das ascenções que sai da caverna eleva-se e se purifica na medida em que mais se eleva. Neste “psiquismo ascencional”, a moral e a filosofia, o ideal ascético e a idéia do pensamento estabeleceram laços muito estreitos. Deles dependem a imagem popular do filósofo nas nuvens, mas também a imagem científica segundo a qual o céu do filósofo é um céu inteligível que nos distrai menos da terra do que compreende sua lei. Mas nos dois casos tudo se passa em altitude (ainda que fosse a altura da pessoa no céu da lei moral). Quando perguntamos “que é orientar-se no pensamento?”, aparece que o pensamento pressupõe ele próprio eixos e orientações segundo as quais se desenvolve, que tem uma geografia antes de ter uma história, que traça dimensões antes de construir sistemas. A altura é o Oriente propriamente platônico. A operação do filósofo é então determinada como ascenção, como conversão, isto é, como o movimento de se voltar para o princípio do alto do qual ele procede e de se determinar, de se preencher e de se conhecer graças a uma tal movimentação. Não vamos comparar os filósofos e as doenças, mas há doenças propriamente filosóficas. (...)&lt;br /&gt;(...) O filósofo pré-socrático não sai da caverna, ele estima, ao contrário, que não estamos bastante engajados nela, suficientemente engolidos. O que ele recusa em Teseu é o fio: “Que nos importa vosso caminho que sobe, vosso fio que leva fora, que leva à felicidade e à virtude... Quereis nos salvar com a ajuda deste fio? E nós, nós vos pedimos encarecidamente: enforcai-vos neste fio!” Os pré-socráticos instalaram o pensamento nas cavernas, a vida nas profundidade. Eles sondaram a água e o fogo. Eles fizeram filosofia a golpes de martelo, como Empédocles quebrando as estátuas, o martelo do geólogo, do espeleólogo. (...)&lt;br /&gt;(...) No entanto, conforme ao método mesmo, temos a impressão de que se levanta uma terceira imagem de filósofos. E que é a eles que a palavra de Nietzsche se aplica particularmente: de tanto serem superficiais, como esses gregos eram profundos! Esses terceiros gregos não são mesmo mais completamente gregos. A salvação, eles não a esperam mais da profundidade da terra ou da autoctonia, muito menos do céu e da Idéia, eles a esperam lateralmente do acontecimento, do Leste - onde, como diz Carroll, se levantam todas as coisas boas. Com os Megáricos, os Cínicos e os Estóicos começam um novo filósofo e um novo tipo de anedotas.&lt;br /&gt;(...) É uma reorientação de todo o pensamento e do que significa pensar: não há mais nem profundidade nem altura. (...) Não mais Dionísio no fundo, ou Apolo lá em cima, mas o Hércules das superfícies, na sua dupla luta contra a profundidade e a altura: todo o pensamento reorientado, nova geografia. (...) &lt;br /&gt;O filósofo não é mais o ser das cavernas, nem a alma ou o pássaro de Platão, mas o animal chato das superfícies, o carrapato, o piolho. O símbolo filosófico não é mais a águia de Platão, nem a sandália de chumbo de Empédocles, mas o manto duplo de Antístenes e de Diógenes. O bastão e o manto, como Hércules com seu porrete e sua pele de leão”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-114969000585857772?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/114969000585857772/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=114969000585857772&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114969000585857772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114969000585857772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/9-deleuze-e-filosofia.html' title='9. Deleuze e a Filosofia'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-114968975471394623</id><published>2006-06-07T07:04:00.000-07:00</published><updated>2006-06-07T07:15:54.723-07:00</updated><title type='text'>8. A importância das metáforas</title><content type='html'>A importância das metáforas nas nossas vidas é um dos assuntos mais fascinantes. Aqui indico apenas uma passagem de alguém que escreveu coisas boas sobre esse tema, a filósofa e novelista Iris Murdoch. Veja esse trecho de abertura de "A soberania do bom sobre outros conceitos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O desenvolvimento da consciência nos seres humanos  está inseparavelmente ligado ao uso da metáfora. Metáforas não são meramente decorações periféricas ou mesmo modelos úteis, elas são formas fundamentais da consciência que temos sobre  nossa condição: metáforas de espaço, metáforas de movimentos, metáforas de visão. A filosofia, de modo geral, e a filosofia moral em particular, frequentemente, no passado, ocupou-se com aquilo que ela considerou ser nossas imagens mais importantes, esclarecendo algumas existentes e desenvolvendo novas.  Os argumentos filosóficos que consistem em tais jogos de imagem, quero dizer, os grandes sistemas metafísicos, são usualmente inconclusivos, e isto é visto por muitos pensadores contemporâneos como desprovido de valor. O status e o mérito deste tipo de argumenta levanta, naturalmente, muitos problemas. No entanto, me parece impossível discutir certos tipos de conceitos sem recorrer à metáforas, já que os conceitos são eles mesmos profundamente metafóricos e não podem ser analisados em componentes não-metafóricos sem uma perda de substância. (...) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto original está disponível da Biblioteca Central da UFSM&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-114968975471394623?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/114968975471394623/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=114968975471394623&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114968975471394623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114968975471394623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/8-importncia-das-metforas.html' title='8. A importância das metáforas'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-114968903343937206</id><published>2006-06-07T07:01:00.000-07:00</published><updated>2006-06-07T07:03:53.443-07:00</updated><title type='text'>7. A Filosofia como obstetricia</title><content type='html'>Outro texto formador - eu diria, outra das grandes metáforas formadoras - encontra-se no Teeteto, no qual Sócrates compara sua arte e atividade com a das parteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A minha arte obstétrica tem atribuições iguais às das parteiras, com a diferença de não partejar mulher, porém homens, e de acompanhar as almas, não os corpos, em seu trabalho de parto.  Porém a grande superioridade da minha arte consiste na faculdade de conhecer de pronto se o que a alma dos jovens está na iminência de conceber é alguma quimera e falsidade ou fruto legítimo e verdadeiro.  Neste particular, sou igualzinho às parteiras: estéril em matéria de sabedoria, tendo grande fundo de verdade a censura que muitos me assacam, de só interrogar os outros, sem nunca apresentar opinião  pessoal sobre nenhum assunto, por carecer, justamente, de sabedoria.  E a razão é a seguinte: a divindade me incita a partejar os outros, porém me impede de conceber.  Por isso mesmo, não sou sábio, não havendo um só pensamento que eu possa apresentar como tendo sido invenção de minha alma e por ela dado à luz.  Porém os que tratam comigo, suposto que alguns, no começo pareçam de todo ignorantes, com a continuação de nossa convivência, quantos a divindade favorece progridem admiravelmente, tanto no seu próprio julgamento como no de estranhos.  O que é fora de dúvida é que nunca aprenderam nada comigo; neles mesmos é que descobrem as coisas belas que põem no mundo, servindo, nisso tudo, eu e a divindade como parteira. (...) Neste ponto, os que convivem comigo se parecem com as parturientes: sofrem dores lancinantes e andam dia e noite desorientados, num trabalho muito mais penoso do que o delas.  Essas dores é que minha arte sabe despertar ou acalmar. É o que se dá com todos.  Todavia, Teeteto, os que não me parecem fecundos, quando eu chego à conclusão de que não necessitam de mim, com a maior boa-vontade assumo o papel de casamenteiro e, graças a Deus, sempre os tenho aproximado de quem lhes possa ser de mais utilidade.  Muitos desses já encaminhei para Pródico, e outros mais para varões sábios e inspirados.  Se te expus tudo isso, meu caro Teeteto, com tantas minúcias, foi por suspeitar que algo em tua alma está no ponto de vir à luz, como tu mesmo desconfias.  Entrega-te, pois, a mim, como ao filho de uma parteira que também é parteiro, e quando eu te formular alguma questão, procura responder a ela do melhor modo possível.  E se no exame de alguma coisa que disseres, depois de eu verificar que não se trata de um produto legítimo mas de algum fantasma sem consistência, que logo arrancarei e jogarei fora, não te aborreças como o fazem  as mulheres com seu primeiro filho.  Alguns, meu caro, a tal extremo se zangaram comigo, que chegaram a morder-me por os haver livrado de um que outro pensamento extravagante.  Não compreendiam que eu só fazia aquilo por bondade, Estão longe de admitir que de jeito nenhum os deuses podem querer mal aos homens e que eu, do meu lado, nada faço por malquerença, pois não me é permitido em absoluto pactuar com a mentira nem ocultar a verdade.”&lt;br /&gt;(TEETETO, de Platão)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-114968903343937206?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/114968903343937206/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=114968903343937206&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114968903343937206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114968903343937206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/7-filosofia-como-obstetricia.html' title='7. A Filosofia como obstetricia'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-114968882568630398</id><published>2006-06-07T06:57:00.000-07:00</published><updated>2006-06-07T07:00:25.696-07:00</updated><title type='text'>6. O mito do nascimento de Eros</title><content type='html'>Na formação da identidade da Filosofia certos relatos ocupam um lugar privilegiado. A passagem abaixo, que se encontra no Banquete, de Platão, é uma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses, e entre os demais se encontrava também o filho de Prudência, Poros, o esperto. Enquanto se banqueteavam, aproximou-se Penia, a Penúria, para mendigar as sobras da festa, e sentou-se à porta. Embriagado pelo néctar, pois o vinho ainda não existia, Poros se encaminhou para os jardins de Zeus e lá adormeceu, dominado pela embriaguez. Foi então que Penia, em sua miséria, desejou ter um filho de Poros. Deitou-se a seu lado e concebeu a Eros, o amor. Por esse motivo é que Eros tornou-se mais tarde companheiro e servidor de Afrodite, pois foi concebido no dia em que esta nasceu. Além disso, Eros, devido à sua natureza, ama o que é belo e, como sabemos, Afrodite é bela. E por ser filho de Poros e Penia, Eros tem o seguinte fado: é pobre, e muito longe está de ser delicado e belo, como todos vulgarmente pensam. Eros, na realidade, é rude, é sujo, anda descalço, não tem lar, dorme no chão duro, junto aos umbrais das portas, ou nas ruas, sem leito nem conforto. Segue nisso a natureza da mãe que vive na miséria.&lt;br /&gt;Por influência da natureza que recebeu do pai, Eros dirige a atenção para tudo que é belo e gracioso: é bravo, audaz, constante e grande caçador: está sempre a deliberar e urdir maquinações, a desejar e a adquirir conhecimentos, filosofa durante toda sua vida; é grande feiticeiro, mago e sofista.&lt;br /&gt;Não vive, propriamente, nem como imortal nem como mortal. No mesmo dia, ora floresce e vive, ora morre e renasce, se tem sorte, graças aos dons recebidos pela herança paterna. Rapidamente passam pelas suas mãos os proveitos que lhe trazem a sua esperteza. Assim, nunca se encontra em completo estado de miséria, nem, tampouco, na opulência.&lt;br /&gt;Oscila, igualmente, entre a sabedoria e a tolice: devido ao seguinte motivo: nenhum dos deuses, como é claro, exerce a filosofia, ou deseja ser sábio, pois que como deus já o é; quem é sábio não filosofa; não filosofa nem deseja ser sábio, também, quem é tolo, e aí reside o maior defeito da tolice: em considerar-se como alguma coisa de perfeito, conquanto, na realidade, não seja nem justa nem inteligente. E quem não se considera incompleto e insuficiente, não deseja aquilo cuja falta não pode notar."&lt;br /&gt;Platão, Banquete, 203b&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-114968882568630398?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/114968882568630398/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=114968882568630398&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114968882568630398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114968882568630398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/06/6-o-mito-do-nascimento-de-eros.html' title='6. O mito do nascimento de Eros'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-114902171956439362</id><published>2006-05-30T13:41:00.000-07:00</published><updated>2006-05-30T13:41:59.566-07:00</updated><title type='text'>5. Emilismos e pomadismos</title><content type='html'>O emilismo, como o entendo, é toda tentativa de explicar a vida em meia dúzia de frases, como faz Emília, no livro de Monteiro Lobato, Memórias da Emilia,  ao expor sua “filosofia de vida”. O emilismo é um dos representantes do entendimento de que a filosofia é o modo de pensar e viver característico de cada pessoa, mais a idéia que isso comporta uma explicitação em poucas palavras. &lt;br /&gt;O pomadismo é algo mais sofisticado. No conto de Machado de Assis, O Segredo do Bonzo, o narrador fala do que viu na cidade de Funchéu, onde andava com um amigo, Diogo Meireles. Em um ajuntamento de pessoas, alguém que se dizia matemático, físico e filósofo, afirmava ter descoberto a origem dos grilos: eles surgem da agitação do ar e das folhas de coqueiros. Em outra multidão, um homem dizia ter descoberto o princípio da vida futura, que estava em “uma certa gota de vaca”. O narrador então fica sabendo que nos dois casos estava sendo aplicada uma doutrina criada por um homem de muito saber, um bonzo de nome Pomada. &lt;br /&gt;Os dois personagens fazem uma visita ao sábio Pomada, que assim resume sua doutrina: “A virtude e o saber tem duas existências paralelas: uma, no sujeito que as possui, outra no espírito dos que o ouvem ou contemplam.” Assim, segue o sábio, uma coisa pode existir na opinião sem existir na realidade. De outro lado, uma coisa pode existir na realidade sem existir na opinião. Disso ele conclui que “das duas realidades paralelas, a única necessária é a da opinião”. Eis aí a essência do pomadismo.  O bonzo pomadista, como se vê, monta sua doutrina a partir de uma afirmação trivialmente verdadeira: uma coisa pode existir na opinião sem existir na realidade, e existir na realidade sem existir na opinião. A seguir o bonzo conclui: a única existência necessária é a da opinião. Isso, diz ele, é um “achado especulativo”. O jogo do bonzo, diz o narrador, consiste em “meter idéias e convicções nos outros”. Um de seus seguidores, Titané, o alparqueiro, usa o jornal para propagandear suas alparcas comuns, fazendo crer que elas são maravilhosas. O narrador do conto, por sua vez, ao praticar a doutrina, faz de conta que toca a charamela (um antepassado da clarineta) para uma audiência que se maravilha ouvindo ... nada! Diogo Meireles, por sua vez, encontra pessoas portadoras de uma doença que torna os narizes horrendos, e convence-as a deixarem que ele arranque os narizes. Eles serão  substituídos por um “nariz são, mas de pura natureza metafísica, isto é, inacessível aos sentidos humanos”. Os viventes, desnarigados, ficam muito felizes com o novo nariz inexistente.&lt;br /&gt;O pomadista tem como ponto de partida uma verdade trivial (uma coisa pode existir na opinião sem existir na realidade, e pode existir na realidade sem existir na opinião); isso mostra a existência de um intervalo, de um espaço entre nossas opiniões e a realidade. A seguir, o pomadista usa esse espaço e essa distinção (entre ter uma crença e ter um conhecimento), para explorar a credulidade humana fazendo valer a opinião pela realidade.&lt;br /&gt;Como se vê, o pomadismo tem muitos seguidores por esse mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-114902171956439362?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/114902171956439362/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=114902171956439362&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114902171956439362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114902171956439362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/05/5-emilismos-e-pomadismos.html' title='5. Emilismos e pomadismos'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-114902166170959413</id><published>2006-05-30T13:40:00.000-07:00</published><updated>2006-05-30T13:41:01.710-07:00</updated><title type='text'>4. Conhecimentos?</title><content type='html'>Queremos discutir Filosofia e seu ensino. Isso significa que queremos tratar da Filosofia como uma área de ... conhecimentos? A palavra talvez seja um pouco forte para esse momento introdutório. Alguém poderia preferir “saber”. Vamos ser cautelosos e deixar essa questão em aberto. Precisamos, em qualquer caso, tentar relacionar um possível significado unitário de ‘Filosofia’ com a questão de seu ensino. Antes, porém, de ir adiante, devemos lembrar que essa expressão, “Filosofia”, tem outros usos no cotidiano, pertencentes à mesma família, por certo. Entre esses, indico aqueles que chamo de “emilismos” e “pomadismos”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-114902166170959413?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/114902166170959413/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=114902166170959413&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114902166170959413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114902166170959413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/05/4-conhecimentos.html' title='4. Conhecimentos?'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-114902161004978744</id><published>2006-05-30T13:39:00.000-07:00</published><updated>2006-05-30T13:40:10.056-07:00</updated><title type='text'>3. Para onde ir?</title><content type='html'>Se esse uso comum, que nos permite dizer que de filósofo todo mundo tem um pouco, é o nosso ponto de partida, devemos agora pensar sobre para onde queremos ir, sobre qual deverá ser o nosso ponto de chegada. Vamos adotar um lema: vale mais ir devagar na direção certa do que correr rumo a um abismo. Não é certo que temos um ponto de chegada. É melhor falar em direções. No nosso caso, em que se trata de uma disciplina de estudos chamada “Filosofia e Ensino de Filosofia”, precisamos levar em conta a existência de uma tradição milenar, desde a antiga Índia, na qual se fala de “filosofia”  em sentidos mais complexos do que esse do cotidiano, quando apenas queremos indicar, e vagamente, a idéia de princípios, jeito de ser, modos de ver a vida. Precisamos nos meter dentro dessa tradição para dali extrair, se for possível, algum sentido unificador, algum significado dessa expressão que justifique o fato de se tratar de uma área de conhecimentos valiosa para ser ensinada, e não um simples jeito pessoal de levar a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-114902161004978744?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/114902161004978744/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=114902161004978744&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114902161004978744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114902161004978744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/05/3-para-onde-ir.html' title='3. Para onde ir?'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-114902154921321113</id><published>2006-05-30T13:38:00.000-07:00</published><updated>2006-05-30T13:39:09.213-07:00</updated><title type='text'>2. Todos os seres humanos são filósofos?</title><content type='html'>Esses usos vagos do cotidiano nos permitem dizer, repetindo Antonio Gramsci, que “todos os homens são ‘filósofos’”. (Obras Escolhidas, Ed. Martins Fontes, 1978, p. 21) Gramsci dizia que há uma “filosofia espontânea” que está contida na linguagem, pois esta “é um conjunto de noções e de conceitos determinados, e não só de palavras gramaticalmente vazias de conteúdo”. Ele também lembrava que todos os seres humanos partilham o que pode ser chamado de um “senso comum”, e que, além disso, temos as religiões populares, os sistema de crenças, superstições, opiniões, modos de ver e de atuar do folclore; esses três aspectos configuram uma espécie de “filosofia inconsciente” possuída pelos seres humanos. &lt;br /&gt;Essa “filosofia espontânea” indicada por Gramsci, na medida em que é generalizada e compartilhada por todos os seres humanos, apenas indica uma espécie de chão que é pisado por todos os seres humanos. Se todos somos filósofos, o jogo está empatado.  Para entender melhor o que quero dizer com isso, pense em uma inversão da frase “a filosofia é um modo de pensar e viver”. Experimente “viver de modo nenhum, pensar de modo nenhum”. Isso seria possível?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-114902154921321113?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/114902154921321113/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=114902154921321113&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114902154921321113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114902154921321113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/05/2-todos-os-seres-humanos-so-filsofos.html' title='2. Todos os seres humanos são filósofos?'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-28757996.post-114860464427999496</id><published>2006-05-25T17:50:00.000-07:00</published><updated>2006-05-30T13:37:51.550-07:00</updated><title type='text'>1. A posição do problema: Filosofia, uma palavra comum</title><content type='html'>A palavra “filosofia” é muito antiga e popular. Sua etimologia não nos importa muito nesse momento, pois falar em “amor ao saber” só faz algum sentido em contextos complexos. Precisamos, no caso dessa disciplina, de um  ponto de partida que faça justiça ao fato dela ser uma expressão comum em nosso cotidiano. &lt;br /&gt;Vamos começar considerando-a uma palavra comum, usada por pessoas que não tem preocupação com um significado muito preciso quando a usam. Afinal, esse também é o ponto de partida, o chão lingüístico onde está situado o nosso aluno de segundo grau, que muitas vezes já terá lido e ouvido e usado essa palavra, fora da sala de aula. Ele conhece a expressão porque a lê em um párachoque de caminhão, em um anúncio de revista, ou a ouve no comentário do jornalista no rádio, que critica a filosofia retranqueira do treinador de seu time favorito.  O fato de ser uma palavra comum não quer dizer, no entanto, que ela  não tenha um significado plenamente compreensível nessas situações populares e cotidianas em que é usada. Em todas elas, a expressão “filosofia” significa algo como estilo de vida, jeito de levar as coisas, princípios que norteiam a vida de uma empresa ou instituição, incluindo treinadores e times de futebol. &lt;br /&gt;Em 1996, na véspera da copa do mundo, Joel Santana assim comentava a fase da seleção brasileira: “A seleção está passando por um bom momento, por uma grande safra. O Zagalo realmente está mudando a filosofia dele, porque carregava uma cruz de retranqueiro, mas ganhou a maioria dos títulos que disputou.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/28757996-114860464427999496?l=faf1043.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://faf1043.blogspot.com/feeds/114860464427999496/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=28757996&amp;postID=114860464427999496&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114860464427999496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/28757996/posts/default/114860464427999496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://faf1043.blogspot.com/2006/05/1-posio-do-problema-filosofia-uma.html' title='1. A posição do problema: Filosofia, uma palavra comum'/><author><name>Ronai Rocha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09967987777781079833</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
